quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Na estrada

A areia pisada que forra o chão para as pedras quebradas que são cobertas pelo asfalto negro que serve de passeio para os pneus de borracha que levam por cima o carro de metal que me leva dentro, feito de carne, pulsante apenas para encontrar.

Te encontrar? Me encontrar?

Para as perguntas não existem respostas aparentes, estão todas enterradas embaixo das pedras que comprei para cobrir-las.

Nos teus olhos luz. Nos meus a cruz, que de igual forma ilumina a noite que paira leve e tranquila, assim como a lua que de um único ponto no céu estrelado ilumina toda a imensidão do universo, sem que ninguém mais possa se esconder.

No carro, já não estou. Não posso dizer que cheguei, você não deixou. Mas no pensamento restou apenas a vontade de estar.

7 comentários:

Anônimo disse...

"Para perguntas não existem respostas aparentes". É, às vezes, a pergunta importa mais que a resposta. Por sinal, por que estamos no carro? para onde vamos? há outros meios de locomoção? A vontade de estar, a utopia, ou desejo de uma heterotopia, como diria Foucault, parecem ser a gasolina, não?!
Grande abraço, irmão!

Gabriel Pereira

Jomery Nery disse...

Gabriel, sempre com o olhar além do normal...kkk

Realmente o desejo é a gasolina que movimenta o carro. O carro é a minha vida, na verdade, as nossas vidas. E estamos seguindo em uma direção, não importa qual, mas estamos seguindo. Perceba que o carro está em movimento.

A estrada estrada é Desígnio (perceba que está com letra maiúscula). O desafio é não sair da estrada, não importe onde ela vai dar.

Valeu meu irmão.

Clarissa disse...

Muito boa a forma que vc escreveu! Gostei muito! Deus é a Luz! Nada melhor do que fixar-se no momento presente e desfrutar da Graça atual!

Romerito Florencio disse...

Pela mãe do guardo Jomerynho, fico até sem comentário para essa obra de arte! Parabéns!!!

Darlan disse...

Isso foi acidente de carro foi?? :O
rs... Bonito! ;P

Danilo Luna disse...

Belíssima construção cara!
Abraços!

helder disse...

Muito bom. Especialmente a velociade do primeiro parágrafo, envolvente.