quinta-feira, 28 de abril de 2011

Alma

Somos almas que vagam pelo mundo, errantes, quem sabe até amantes. Em esquinas da vida nos cruzamos e olhando nos olhos de quem está na frente não nos resta outra imagem.

Há quem diga que os olhos são as janelas da alma, mas quando olho nos olhos de quem vê, consigo ver somente a mim. Será que os olhos de quem vê são as janelas da alma de quem está sendo visto? Será, então, que quem está sendo visto está em quem vê?

Não somos almas produzidas inteiras, de apenas uma matéria, somos a mistura de várias almas, carregamos pequenos pedaços de almas, de histórias, de passados. Dentro da roupa que vestimos há sim um conteúdo.

Caminhando sem porto é fácil ter a sensação de estar morto. Sorte tem aquela alma que desperta quando o sol resolve deixar sua morada e preenche a casa de manhã, afastando toda a penúria. Quando os raios invadem a alma e o perfume do café que acaba de ser feito vem buscá-la, ai é que ela é feliz.

As almas que vagam encontrarão sempre um abrigo, sempre um mastro.

No entanto, há dias em que a luz é pouca, o sol não desperta. A alma então perde sua cor e se entrega a dor. Nada mais resta. Sem o sol a alma dorme.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sertão

Sonhei que visitava uma cidade, linda cidade, localizada no pé de uma cadeia de montanhas, vistosas montanhas. Admirado, estava no sertão!

Em minhas andanças estive em vários lugares, mas nenhum como aquele, nenhum tão misterioso, tão atraente, tão insondável como o sertão.

O sertão é quente e é frio, é doce e é salgado, amarelo e esbranquiçado. De sua terra imponente, não nasce o verde, mas desse mesmo chão jorra a cor da esperança. Não há o que dizer, não posso traduzir em palavras a alegria e a curiosidade que sentia enquanto sonhava.

Os meninos do sertão são livres, não tem medo, brincam e correm soltos, comem o que lhes oferecem, não se queixam pois o pouco que tem lhes é suficiente. É tudo diferente da capital, aqui, nesse mundo real, ou não, os meninos são criados em cativeiro.

O lugar é místico, caminham pelas ruas os filhos de um sol poente, as lavadeiras do rio passam pela rua no fim da tarde trazendo na cabeça as trouxas do dia inteiro. Esse povo não perde tempo pensando, apenas VIVE, mesmo que sofra e que sinta a dor da fome e do desprezo.

Nesse sonho, passei por vales e montanhas, vi tantas outras coisas, lindas e engraçadas, mas foi na estrada daquela cidade que encontrei o silêncio que há muito procurava. Só, EU, na estrada do pensamento do indelével sonho que o sertão me deu.